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Arquitetos: KamakuraStudio
- Área: 168 m²
- Ano: 2022
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Fotografias:Koji Fujii (Torel), Shinkenchiku-sha, KeisukeFukui (KamakuraStudio)

Descrição enviada pela equipe de projeto. O projeto serve tanto como residência quanto como escritório do arquiteto. Ao transformar o escritório no térreo em um espaço aberto para que os moradores do bairro possam visitar de forma espontânea, busca-se fortalecer os laços dentro da comunidade. O local está em um bairro relativamente novo, onde 75% dos residentes se mudaram na última década. No futuro, essa região pode enfrentar desafios como o envelhecimento da população e a diminuição do número de moradores. Para evitar que siga o mesmo destino de antigas "novas cidades", o arquiteto acredita que a chave para uma comunidade sustentável está em seus habitantes enxergarem a cidade como uma extensão de sua vida cotidiana.



No térreo, o escritório também funciona como um espaço aberto à comunidade local.
• Preparar café extra e compartilhá-lo com os vizinhos cria um ambiente acolhedor, semelhante a um café.
• Disponibilizar uma estante cheia de livros doados pelos moradores transforma o local em uma pequena biblioteca comunitária.
• Projetar um filme para que todos assistam juntos faz do espaço um cinema improvisado.

A proposta do projeto é somar essas pequenas iniciativas para, aos poucos, fortalecer a conexão entre os moradores e o bairro. Ao criar um ambiente onde as pessoas sintam que "compartilham algo, estejam dentro ou fora", materiais, elementos arquitetônicos e níveis de piso são tratados de forma contínua, suavizando a separação entre interior e exterior. Essa integração favorece a convivência e torna os encontros mais naturais.



Na região, uma "rede de compartilhamento de plantas", iniciada por alguns vizinhos, expandiu-se para dezenas de lares, demonstrando o engajamento da comunidade. Como resposta a esse movimento, a fachada do projeto incorpora uma estratégia de vegetação tridimensional. O térreo permanece aberto e diretamente conectado à rua, enquanto, nos andares superiores, plantas cultivadas dentro dessa rede ocupam uma abertura diagonal, permitindo a passagem da luz natural. Tanto no plano quanto na seção, terraços e ambientes internos se alternam, criando uma atmosfera envolta em vegetação, que remete à sensação de viver entre árvores.

Ao incentivar o compartilhamento de espaços e pequenos prazeres do dia a dia, o arquiteto busca construir, de maneira gradual, relações genuínas e enriquecedoras. Para ele, "viver o cotidiano de forma participativa" é essencial para sustentar uma comunidade urbana vibrante.

Desde a conclusão do edifício, o espaço tem sido palco de diversos eventos, como cafés, palestras, oficinas e exibições de filmes. Essas atividades vêm fortalecendo as conexões entre os moradores e inspirando outras localidades. Comunidades vizinhas já demonstram interesse no conceito, com comentários como "Gostaríamos que nosso térreo fosse assim" ou "Queremos implementar essa ideia em outros lugares", sinalizando um crescente movimento na mesma direção.


Pequenas iniciativas cotidianas começam a se entrelaçar, revelando um futuro onde as interações entre os moradores acontecem de forma mais espontânea. Será interessante acompanhar quais novas conexões e projetos surgirão aqui e até onde essa influência poderá chegar.
